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Cem temas proibidos na web

Os maiores portais da China — como Sina.com, Baidu, Sohu, Tom Online e até o americano Yahoo!, entre 14 websites — assinaram semana passada um texto em que se comprometem “a combater o lixo da internet” na China. Ao mesmo tempo, o acordo estabelece uma autocensura com a listagem de cem exemplos de assuntos considerados “conteúdo pouco saudável”, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Google e MSN não assinaram acordo

Nem o Google, nem a MSN Spaces, da Microsoft, assinam o documento, considerado mais uma tentativa de ampliar o controle sobre a internet chinesa, que possui hoje mais de 700 mil websites e 111 milhões de usuários.

As duas maiores empresas de videogames online da China — a Shanda e a NetEase — também decidiram entrar no esforço para adotar “medidas que garantam um ambiente mais saudável e a restrição ao acesso de jogadores compulsivos à rede”.

A reunião foi um passo autoconsciente da indústria de internet para evitar uma cultura pouco saudável na rede, com influências negativas na sociedade, especialmente nas gerações mais jovens — afirmou Liu Zhenrong, diretor da Sociedade de Internet da China, ligada ao governo central.

Por trás de toda a discussão sobre o lixo da internet — que na China inclui toda e qualquer informação que desagrade ao governo ou contenha algum material pornográfico — está a lista dos cem exemplos de conteúdos indesejáveis, algo verdadeiramente precioso para as empresas que trabalham com a rede chinesa.

Explique-se: o governo da China não diz o que considera proibido ou não em termos de informação, ficando a cargo das próprias empresas buscar o conteúdo aceito na base da tentativa e erro.

Cisco forneceu roteadores do governo chinês

Antes de abrir a versão em chinês da sua ferramenta de busca, o Google, por exemplo, passou vários meses recolhendo dados sobre os websites estrangeiros que tinham o acesso bloqueado pelos roteadores do governo. Aliás e a propósito, esses roteadores governamentais foram fornecidos pela Cisco — que, por causa disso, andou sofrendo pressão por parte dos defensores das liberdades civis.

Assim, como era de se esperar, a lista de temas “pouco saudáveis” não foi divulgada publicamente. Mas a gente pode até tentar deduzir, né? Algo do tipo: pedofilia, sexo, Tibete, e assim por diante.


 
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